Acerca de mim

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Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Adeus, Cesária...

Este sábado faleceu a cantora cabo-verdiana Cesária Évora. Eu gostava do seu estilo, da sua voz, das suas músicas. Tenho pena que cantasse a maior parte delas em crioulo, pois gostaria de transpor para aqui uma das letras das suas músicas. Fica a intenção.
Até sempre, Cesária...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ainda não te disse

Ainda não te disse, amor,
palavras há muito guardadas no meu peito.
Meu coração
teme a rejeição
e por isso nada digo, em seu respeito.

Quem sabe, um dia
um dia saberás o que pensei de ti
se te amei
ou não deixei
que o coração sentisse o que senti.

Felipa Monteverde

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Já não tenho a poesia

Poesia, onde andas
por onde pairas e poisas?
Deixaste o meu coração
por maldade ou ingratidão
e foste pra outras bandas
outros quadros, outras loisas.

Já não tenho a poesia
dentro do peito a pulsar
fiquei de alma vazia
que essa velha vadia
cuidou de me abandonar.

Meu coração desespera
sem poesia, sem alma
sem aquilo que eu era...

Vai-se a vida, lenta e calma
e entra no meu peito a palma
do martírio que eu sofrera
por essa ingrata megera.

Felipa Monteverde

sábado, 5 de novembro de 2011

Junto a uma sepultura


Acautelei a minha alma
para não sofrer por ti
e deixei-me ficar, serena e calma,
rezando as orações que aprendi.

Ajoelhei a Deus, orando
por ti, por nós, por mim…
O tempo vai correndo, está passando
e também eu caminho para o fim.

És tu quem hoje lembro,
és quem me traz aqui…
este altar de tristezas vou correndo
com os olhos que já não choram por ti.

Acendi as velas que comprei
por ti rezei, em ti estive a pensar…
"Feliz aniversário", desejei:
tantos anos de céu! E assim te dei
a ternura que nunca me soubeste dar…

Felipa Monteverde

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Aniversário do blog



O meu blog comemora 2 anos!

Ofereço estas flores a todos os amigos e seguidores, com um grande beijo e obrigada pela presença ao longo destes dois anos de atividade.


E a Chica chegou e ofereceu a lembrança! Obrigada!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vi o mar


Vi o mar:
barreira de espuma
que me impedia de avançar;
águas cinzentas, negra bruma
e meus braços já sem forças pra remar.

Vi o mar:
rota imaginária
de um navio de incertezas,
que leva minha mágoa diária
num porão de sonhos e fraquezas.

Vi o mar:
caminho lúgubre e misterioso
lençol feito de lágrimas e água;
feiticeiro e mago, furioso,
que transforma em sargaço a minha mágoa.

Felipa Monteverde

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Hoje é o Dia do Poeta


Hoje é o Dia do Poeta e a querida Helô preparou esta homenagem às amigas poetizas, nas quais me incluo com muito gosto.
Obrigada, Helô.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Como me dá na telha

Eu escrevo como me dá na telha
e ao fim nada se assemelha
ao que comecei a escrever.
Não tenho regras
apenas deixo as minhas penas
saírem como lhes apetecer.

Felipa Monteverde

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Eu vou além das estrelas


Eu vou além das estrelas
à procura de um amor
e só em vê-las
fico a saber
que sou feliz por poder
voar além das estrelas.

Meu voo é firme e vou alto
tão alto que nem sabia
e como um salto
vem-me à ideia
que sou feliz na maneira
de voar firme e tão alto.

Felipa Monteverde

sábado, 10 de setembro de 2011

Ponto final

Eras apenas um parêntesis
depois reticências...
hoje és ponto final
parágrafo
nova linha

Felipa Monteverde

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Horas mortas

Nas horas mortas da madrugada
todos os pensamentos se transformam
todas as ilusões se transfiguram
todas as tristezas nos visitam...

Felipa Monteverde

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Havia um pássaro

Havia um pássaro que tinha um sonho:
voar alto.
Mas não lho permitiam,
apenas o deixavam andar rasteirinho,
rente ao chão.
Ele obedecia mas sonhava,
sonhava sempre que voava
pelo alto céu como um avião.

Felipa Monteverde

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Selinho de amizade


A amiga Alice Cerqueira foi a grande vencedora do 5º Pena de Ouro, organizado pela Lindalva do blog Ostra de Poesia.
A Alice ofereceu este selinho aos amigos, que agradeço.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

És um fado que persigo

Encaminho o silêncio
em direção ao tempo que perdi
procurando em cada homem
o que não havia em ti.

Procuro mil destinos
enquanto atravesso o mar
das saudades e enganos
em que aprendo a navegar.

Penso em ti e recomeço
a iludir o pensamento
em tempestades de sonhos
adormecidos no tempo.

És um fado que persigo
és maré de nostalgias
quimera desencontrada
entre as noites e os dias.

Entrego à lua o caminho
que percorro lentamente
procurando em cada homem
quem tu foste realmente.

Felipa Monteverde

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fome

É noite e a minha alma voa,
alada sombra que te segue os passos
por entre a escuridão que não perdoa
a solitária fome dos meus braços.

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Fiel

Permaneço fiel ao silêncio que me inibe,
finjo ouvir palavras que não dizes.

Felipa Monteverde

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Não tenho tempo

Não tenho tempo
e não gosto do tempo que tu queres que eu tenha
do tempo que entre nós eu sei que nunca houve...
e um lamento
me sai do peito em segredo e em silêncio
tão calado e insuspirado que ninguém o ouve.

Não tenho tempo
de ouvir mentiras e segredos
palavras que tu queres que eu escute e nunca ouça...
e num lamento
eu maldigo quem eu era e nunca fui e ninguém soube
e relembro esse tempo do meu tempo de ser moça.

Felipa Monteverde

terça-feira, 24 de maio de 2011

Sonho e sentidos

Eras apenas um sonho que adormeceu na praia
e as marés encheram de areia os meus sentidos.

Felipa Monteverde

terça-feira, 19 de abril de 2011

Não sei nadar

Não quero o travo salgado
da água do mar na minha pele
quero apenas molhar os pés
e não banhar-me nele.

Não sei nadar.
Ninguém me ensinou, não aprendi.
Para mim, o mar é cheiro a maresia
uma aragem salgada
e uma praia vazia.

Não sei nadar.
Mas nado em pensamento a distância
que me transporta a mil Verões
da minha infância.

E sôfrega mergulho nessas águas
em que a memória me acarinha
e me afaga as mãos já enterradas
numa sepultura que era minha.

O mar
é revolta constante e mensageira
em que mergulho e me afundo
por não saber nadar.

Mas sei que estás à minha beira
reconheço o teu odor e o ruído
do teu respirar na minha mente
onde te quedas sempre tão ausente
e tão cheiro a mar.

Mar
amar e não amar ninguém...
E ninguém me ensinou ainda a nadar.

Felipa Monteverde

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cada manhã


Cada manhã é um suplício a transpor,
madrugada de silêncios e sentidos.

Felipa Monteverde

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Num banco de jardim


Na aspereza da madeira percebi um banco
recordei sentidos e amores que não tive
e na espera amanhecida sem encanto
anseei um segredo que em mim vive.

Segredei o luar ao teu ouvido
numa agitada noite em que o amor morreu
e fiquei só, num banco envelhecido
que embalava a estrelas que há no céu.

Recordei-te...
e nada percebi do que lembrava
nada entendi de quem tu eras
apenas percebi que alguém passava
levando as palavras que disseras.

E assim continuo nesta luta
sentada neste banco de jardim,
tentando perceber a vil desculpa
que me deste para te afastares de mim...

Felipa Monteverde

domingo, 3 de abril de 2011

Entre o sonho e o mar

As minhas mãos tão frias
geladas como a vida
que envolvem os meus dias
em noites mal dormidas
mostram os meus sentidos
nas pontas dos meus dedos
que tremem, ressequidos
pela aridez dos medos
que envolvem minhas noites
que aumentam meu penar
entre eternos açoites
entre o sonho e o mar.

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Chuva na janela

Tanto que por aqui chove!
A primavera chora, o dia entristeceu
e, na vidraça, a água que escorre
lava sonhos tão cinzentos como o céu.

Olho a chuva, espreitando à janela
e lembro um doce olhar, de mim ausente...
mas presente na noite em cada estrela
que na minha alma se acende.

Primavera de silêncios, de saudades
que a chuva acentua, nostalgia
de sentir presentes outras tardes
e saber ausentes esses dias...

E a chuve que escorre na vidraça
lava sonhos tão cinzentos como o céu,
nostalgia que se instala e jamais passa
na lembrança de um olhar que me esqueceu...

FELIPA MONTEVERDE

domingo, 20 de março de 2011

Ó lembranças de outroras

Ó lembranças de outroras
Mais distantes que nem sei
Por que vindes a desoras
Recordar-me nestas horas
O que jamais olvidei?

Por que voltais ao passado
Que eu já havia enterrado
Junto aos sonhos que matei?
Ai lembranças de outroras
Que tão mal vos ocultei…

(Felipa Monteverde)

domingo, 13 de março de 2011

Véu de ansiedade

Cai-me, disperso, o véu da ansiedade,
Lua que me desce sobre os ombros...
Primavera escondida nos escombros
De um verso que em minh’alma é metade.

Metade de mim, que o outro meio
Esconde-se entre as rugas do meu seio
Ressequido por séculos de saudade…

Anseio o mar, um céu de estrelas
Nebulosa de sonho e de marfim...
Mas tudo é sombra, tudo é escuro em mim
Nem as flores me querem ao pé delas...

Cai-me, disperso, o véu da ansiedade
E nos ombros sinto este cansaço,
Esta fome de ser mar e espaço
E ser apenas rio de saudade...

Saudade de quê, amor?...
Saudade de ti, de nós, do tempo
Em que amar-te era um resplendor
E estava tão distante este tormento...

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Ontem foi o dia dos namorados...

... e eu esperei durante todo o dia por este presente:


Que não apareceu, claro, e eu até dispensava as flores e os balões...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Suicídio

Nesta infinita espera em que caminho
avisto os teus passos no horizonte
e a memória trai o meu destino
atirando-se abaixo de uma ponte.

Ponte de desvarios e loucura
que atravessa o medo em que caí
ao separar o sonho da aventura
de esperar amor vindo de ti.

Mas o sonho caiu, a aventura ficou
e o romance morreu naquela hora
em que de uma ponte se atirou
um segredo, um destino, uma penhora.

Penhora de carinho, de ternura,
em que eu havia então depositado
o sonho, o desvario, a loucura
de amar uma lembrança do passado...

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Dia de anos

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse…
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado…
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal; porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa; que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los, queira ou não queira!

(João de Deus)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sem ti


Amanhecer nos teus olhos é amor
entardecer nos teus braços é paixão
anoitecer à tua espera é perdão
adormecer sem ti é aguda dor...

(Felipa Monteverde)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Três poemas de Djalma Andrade


BELO HORIZONTE

Belo Horizonte, glória ao mineiro!
Bendito o esforço da sua mão,
Que traça linhas no solo agreste
E faz cidades nascer do chão.

Glória ao mineiro de sãs virtudes
Que as tempestades sabe afrontar,
Que faz cidades de ruas retas
Porque esse é o jeito do seu andar.

Belo Horizonte, fonte de vida,
Chegam enfermos em procissões!
Só com a magia desses teus ares,
Fazes milagres, ressurreições.

Árvores verdes, fortes, tranquilas,
Que afrontam firmes o temporal,
Como soldados postos em filas
Numa parada descomunal.

Belo Horizonte, conto de fadas!
Luta o mineiro na grande Minas,
E eis que a cidade surge do nada,
Tal qual o mundo das mãos divinas.


PODE ENTRAR, QUE A CASA É SUA

Minas… Igrejas e sinos
De sons puros, cristalinos…
Pompas… Passado de glórias…
Cidades velhas, velhinhas,
Com ternura de avozinhas,
Que contam lindas histórias.

Minas… As velhas fazendas
Cheias de casos e lendas
De uma era sombria, escura…
E Minas das claras fontes,
Dos rasgados horizontes,
Minas do pão, da fartura.

Minas… as longas estradas
Nos duros morros cravadas…
Gente forte à luta afeita!
Carros gemendo e cantando,
Serras e montes galgando,
Na alegria da colheita.

Minas… Repiques festivos,
A banda, dobrados vivos
Rompe com fúria infernal…
Foguetes, o largo cheio…
Todo o povo alegre veio
Para a festa no arraial.

Minas… É o lar que se agita
Gente de fora, visita,
Todos à porta da rua…
Sorriso franco e bondoso,
Lá dentro o café cheiroso:
– Pode entrar, que a casa é sua.


MINHA TERRA

Ó turista errante a caminhar à toa,
Olhos fatigados de mirar Paris,
Vem ver minha terra como é clara e boa,
Vem ver minha gente a trabalhar feliz!

Vem ver minha Minas como é linda e calma,
Ó turista errante, vai andando ao léu…
Que este clima puro robustece a alma,
- Sobe estas montanhas que acharás o céu.

Esta é Vila Rica, uma cidade exemplo,
Pisa bem de leve, passa devagar,
Ó turista errante, esta cidade é um templo.
Quem não tem vontade, Santo Deus, de orar!

Homens formidáveis que curtiram travos
Por aqui passaram, por estes recantos:
- Dizem as histórias que eles foram bravos,
Eu às vezes penso que eles foram santos.

Olha estas imagens, olha-as com carinho,
Santos semelhantes parecendo irmãos,
Foram todos feitos pelo Aleijadinho,
O monstruoso génio que não tinha mãos.

Olha estas ermidas, vasos, esculturas,
As capelas lindas, com seus lindos santos…
Quando chega maio, que alegria puras!
Cobrem-se de flores, enchem-se de cantos.

Esta é Diamantina, outrora onipotente,
Este é o Sabará gentil dos meus avós:
- São cidades mortas para toda a gente,
São cidades santas para todos nós.

Vem ver as mineiras, lindas esperanças,
Do seu peito brando é que a bondade emana;
Têm a singeleza de ovelhinhas mansas,
E o caráter de aço da mulher romana.

Vem ver o mineiro a levantar cidades,
Na labuta austera, cheio de virtude:
- o meu povo vence sem mostrar vaidades,
Minas se engrandece no trabalho rude.

Olha estas montanhas, têm o aspeto rudo,
São de ferro e aço, valem um tesouro!
- Aço e ferro juntos formam um escudo
A guardar de Minas o caráter de ouro.

Ó turista errante, a tua jornada encerra,
Não verás, por certo, entre países mil,
Terra mais bonita do que a minha terra,
Terra mais pujante do que o meu Brasil!

DJALMA ANDRADE

(Retirado do livro "BELO HORIZONTE", 16ª Conferência dos Distritos Rotários do Basil, 1945)

Quando li o nome Djalma Andrade pensei tratar-se de uma mulher, mas pesquisei na net e soube que era um homem:
Nasceu em Congonhas, Minas Gerais. Formado em Direito. Nomeado promotor de Justiça em Ouro Preto, não tomou posse para dedicar-se ao jornalismo e às letras. Atuou em quase todos os jornais e revistas em Belo Horizonte. No Estado de Minas assinava a coluna "A História Alegre de Belo Horizonte".
Membro da Academia Mineira de Letras e da Academia de Lisboa.

Bibliografia:

“Versos Escolhidos” - 1935
“Poemas de Ontem e de Hoje” – 1937
“Sátiras”
“Cartuchos de Festim”
“Poemas Escolhidos”
“Versos Escolhidos e Epigramas” -1945

Teve diversos livros com edições esgotadas, em especial a última, em 1986. Faleceu aos 83 anos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novo ano

Chegou um novo ano
e com ele a esperança
em que algo se renove;
mas é tudo um engano
a novidade logo cansa
e nada depois nos move.

Fazemos resoluções
criamos expetativas
sonhamos tudo mudar...
mas são tudo ilusões
são esperanças perdidas
quando janeiro passar...

(Felipa Monteverde)

Retratos



Não olhes os meus retratos
que nenhum deles retrata
a minha alma fiel.
Retratos são abstratos
são aparência inexata
fisionomia chata
num pedaço de papel…

(Felipa Monteverde)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Carência

Entristece-me saber
que apenas consegues oferecer-me sexo.
A companhia de um homem
o seu carinho e atenção
são coisas que desconheço.

A minha alma anseia algo mais
do que aquilo que me dás.
Contigo não preencho este vazio
que me torna carente de afetos
e amargamente só... ao pé de ti.

(Felipa Monteverde)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Soneto de Natal

Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

Machado de Assis

(retirado de http://mimosdeanna.blogspot.com/)