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Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Recado aos amigos distantes

Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1951)'

(Cortesia da amiga Helô Spitali)

5 comentários:

Gil Moura disse...

Olá, Felipa!

Adorei este poema da Cecília Meireles.

A amizade não tem distâncias,
não tem raças nem religiões.
Sendo sincera e verdadeira
Vive em nossos corações.

Uma excelente semana com tudo de bom!

Beijinhos

Gil

Mi (de Miguel) disse...

Gostei muito deste poema. Cecília Meireles tem algumas jóias muito valiosas, parabéns pela postagem.
Beijos

ETERNA APAIXONADA disse...

Olá Felipa!

Vim lhe deixar meu carinho e desejar um lindo fim de semana!
Beijos

Helô Spitali

LAPSIS disse...

http://www.youtube.com/watch?v=qegc1oclbL4

http://www.youtube.com/watch?v=JxSRgk2jD3w&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=cp87d-d_qsk

LAPSIS disse...

A procura de abril


De tudo o que Abril abriu
Já muito se disse.
Muito pouco se fala
Deste sufoco que nos cala
Destes rios sem mar
Deste roer por dentro
Deste moer até ao sonho
O passado voltou disfarçado de futuro
Deram-nos com o machado mesmo no centro do pensamento
É tão imenso este tormento
Em marés calmas
O que é feito das nossas almas?

Nós já não voltamos em Maio
Perdemos os ritmos da terra,
Os cheiros do mar
Não sabemos voar.

Utopia é não querer ver
Que a utopia morre todos os dias
Nos grandes centros onde
Nos escondemos da nossa dor
E transvestimo-nos
de seres sem
Tempo ou saudade.

Já ninguém semeia canções ao vento
A esperança enfiou-se numa caixa
E dorme o dia inteiro com este tédio ao lado