Um dia as saudades chegarão, invadir-me-ão
a alma e o coração. A tua lembrança penetrar-me-á
até aos ossos, a dor de não te ter será chaga aberta
para sempre no meu peito.
Mas até lá, deixa-me recordar-te com a alegria
que sentia quando te via, a ternura com que
te pegava na mão. Deixa-me recordar a tua voz,
o teu jeito de ser meigo e bonito. A tua sinceridade
e boa disposição. Deixa-me recordar quem eras,
porque tu eras a pessoa mais linda do mundo.
Eras a minha vida, o meu amor.
Deixa-me recordar-te assim.
Quando as saudades chegarem, quando
a dor me invadir ao ponto de não conseguir
sentir mais nada a não ser a espada cravada
no coração, então chorarei.
Agora não. Agora só quero
pensar em ti e sorrir, agradecer porque te tive.
Felipa Monteverde
Acerca de mim
- Felipa Monteverde
- Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.
terça-feira, 13 de maio de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Borboletas
Gosto de pensar em borboletas. Às vezes,
quando pego no caderno e não sei o que escrever,
vêm-me à ideia frases como esta: a borboleta poisava
nas flores, devagarinho, querendo conversar…
Nunca soube completar as frases. E não gosto
de borboletas, por causa das larvas que comem
as couves e as plantas. Mas são bonitas, sim, são
agradáveis à vista, embora seja uma beleza efémera.
Que não deixa de ser beleza…
Depois de pensar em borboletas fico sem saber
o que escrever. E se insisto só me saem parvoíces.
Mas são as minhas parvoíces, fazem parte de mim…
Hoje é um desses dias. Peguei na caneta e assim fiquei,
de caneta na mão, a olhar para estas páginas e a
pensar em borboletas. Talvez sinta necessidade de voar…
quando pego no caderno e não sei o que escrever,
vêm-me à ideia frases como esta: a borboleta poisava
nas flores, devagarinho, querendo conversar…
Nunca soube completar as frases. E não gosto
de borboletas, por causa das larvas que comem
as couves e as plantas. Mas são bonitas, sim, são
agradáveis à vista, embora seja uma beleza efémera.
Que não deixa de ser beleza…
Depois de pensar em borboletas fico sem saber
o que escrever. E se insisto só me saem parvoíces.
Mas são as minhas parvoíces, fazem parte de mim…
Hoje é um desses dias. Peguei na caneta e assim fiquei,
de caneta na mão, a olhar para estas páginas e a
pensar em borboletas. Talvez sinta necessidade de voar…
Felipa Monteverde
(In Selecta Cultural Portugal-Brasil, página 79)
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Indiferentemente
De facto
torna-se complicado
aceitar a existência de um ente
que vive dentro de nós
indiferentemente.
Indiferente a tudo
que possamos almejar
neste sentido que ascendemos
a esperar.
E
torna-se complicado
torna-se muito complicado
ser azul entre as estrelas
ser pedra no mar salgado.
Não espero
(nunca espero)
saber descomplicar a vida
só me aborrece esta espera
de uma promessa tardia.
E espero.
Indiferente ao teu ser
que vive dentro de mim
sem eu o conhecer.
Felipa Monteverde
torna-se complicado
aceitar a existência de um ente
que vive dentro de nós
indiferentemente.
Indiferente a tudo
que possamos almejar
neste sentido que ascendemos
a esperar.
E
torna-se complicado
torna-se muito complicado
ser azul entre as estrelas
ser pedra no mar salgado.
Não espero
(nunca espero)
saber descomplicar a vida
só me aborrece esta espera
de uma promessa tardia.
E espero.
Indiferente ao teu ser
que vive dentro de mim
sem eu o conhecer.
Felipa Monteverde
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Cansei
Hoje cansei a espera.
Cansei-a de esperar por mim.
Cheguei mais cedo. Iludi o olhar que
me lançava com o segredo que escondia.
Cansei-a e saí, obscura a sina que
me envolvia o abraço. Cansei-a e
descansei amores. E fiquei quieta e tranquila,
aguardando o sol e a luz que me traria.
Felipa Monteverde
Cansei-a de esperar por mim.
Cheguei mais cedo. Iludi o olhar que
me lançava com o segredo que escondia.
Cansei-a e saí, obscura a sina que
me envolvia o abraço. Cansei-a e
descansei amores. E fiquei quieta e tranquila,
aguardando o sol e a luz que me traria.
Felipa Monteverde
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Lapas
Há pessoas que são lapas.
Apegam-se-nos, agarram-se.
Sugam o que podem e o que não queremos dar.
Lapas.
Mas nós não somos rochas. Não
aguentamos durante muito tempo
sermos sugados, tolhidos nos movimentos.
E sacudimos essas lapas, afastamo-nos
desse mar. Ou tentamos...
Felipa Monteverde
Apegam-se-nos, agarram-se.
Sugam o que podem e o que não queremos dar.
Lapas.
Mas nós não somos rochas. Não
aguentamos durante muito tempo
sermos sugados, tolhidos nos movimentos.
E sacudimos essas lapas, afastamo-nos
desse mar. Ou tentamos...
Felipa Monteverde
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Ausência
Chamei-te meu amor e era silêncio, na paisagem
dos teus olhos percorri lugares que fantasiei.
Não sei os caminhos que escolhes, sei que o medo
de perder-te faz de mim quem não me sei.
Não conheço a maré que te trouxe à minha praia, o mar
onde navegam os teus sonhos não tem rotas conhecidas.
Meu amor de nenhum tempo, onde a areia onde dormias
onde o barco onde quiseste embarcar?
Já não sei o tempo, o feitio de um amor mais que perfeito
que era sonho e era vida. Chamei-te meu amor e era o medo
silenciando as dores de perder-te, calando as palavras
já mortas e ressequidas além tempo.
Outrora éramos nós, fomos tão nós... tão juntos
tão intensamente unidos... Hoje somos apenas
o silêncio, o cansaço de uma noite, a nostalgia
feita das saudades mais serenas.
Ainda te chamo amor... baixinho, tão baixinho
que nem o meu coração ouve. Perdi-me
no silêncio, na madrugada fria em que adormeço
sentindo-te comigo e tão ausente.
Felipa Monteverde
dos teus olhos percorri lugares que fantasiei.
Não sei os caminhos que escolhes, sei que o medo
de perder-te faz de mim quem não me sei.
Não conheço a maré que te trouxe à minha praia, o mar
onde navegam os teus sonhos não tem rotas conhecidas.
Meu amor de nenhum tempo, onde a areia onde dormias
onde o barco onde quiseste embarcar?
Já não sei o tempo, o feitio de um amor mais que perfeito
que era sonho e era vida. Chamei-te meu amor e era o medo
silenciando as dores de perder-te, calando as palavras
já mortas e ressequidas além tempo.
Outrora éramos nós, fomos tão nós... tão juntos
tão intensamente unidos... Hoje somos apenas
o silêncio, o cansaço de uma noite, a nostalgia
feita das saudades mais serenas.
Ainda te chamo amor... baixinho, tão baixinho
que nem o meu coração ouve. Perdi-me
no silêncio, na madrugada fria em que adormeço
sentindo-te comigo e tão ausente.
Felipa Monteverde
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
O livro da Dulce
Lembro-me de, na Quaresma de 2012, durante a Caminhada que fizemos com alguns amigos, cada um no respetivo blogue, a Dulce ter postado num dos seus dias um poema que me agradou muito, tanto que o incluí na Via-Sacra rezada na minha paróquia, quando foi a minha vez de a organizar. O poema da Dulce foi lido como oração final, por toda a assembleia, apresentado num trabalho de Powerpoint produzido para o efeito.
Não me espanta que a Dulce tenha publicado os seus trabalhos, dada a qualidade dos seus escritos. E espero que este seja o primeiro de muitos, cá aguardamos para os ler.
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