Pele.
Orgão do sentido, do tato,
do mimo e do afago. Do abraço,
dos afetos, do desejo secreto ou
demonstrado. Que sente a ternura
do beijo da criança, dá a mão à
esperança, acarinha o velho.
Órgão às vezes maltratado,
ignorado, exposto aos ventos e
marés de toda a vida. Atraiçoado
pelo dono, deixado ao abandono
nas tempestades e vendavais,
sem nenhum barco ou
cais que o abrigue.
Órgão do carinho consentido e
com sentido, sensação, flor,
toque, sensibilidade e dor.
Contacto. O calor, o frio.
Proteção. Sedução. Arrepio.
Felipa Monteverde
(Poema incluído numa brochura da empresa DERMOLUSA para divulgação da sua linha de produtos para a pele, D'AQUA)
Acerca de mim
- Felipa Monteverde
- Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
domingo, 3 de novembro de 2013
Vaso quebrado
Penetra-me o coração a espada da amargura
o seu gume rasga a vida que não tenho.
Eu era fogo, que lentamente consumiu o lenho em que ardia.
A cinza recolhida em vaso velho e já cansado era eu dentro do tempo.
Ignorante das dores, houve um tempo.
Depois passou, e o futuro doeu.
Era uma espada. E vieram as dores.
O fogo, já extinto, continuou a arder no tempo
mas já lá não estava eu.
O que eu era não resistiu à espada
que o meu peito exibia e alimentava no seu sangue.
Doía. Sim, doía.
Como dói e mata toda a amargura
que o coração transporta e acalenta.
Fogo. Eu era fogo. Em cinza me tornei.
Um velho vaso já quebrado me guardou a vida
quem o atirou da escada?
o seu gume rasga a vida que não tenho.
Eu era fogo, que lentamente consumiu o lenho em que ardia.
A cinza recolhida em vaso velho e já cansado era eu dentro do tempo.
Ignorante das dores, houve um tempo.
Depois passou, e o futuro doeu.
Era uma espada. E vieram as dores.
O fogo, já extinto, continuou a arder no tempo
mas já lá não estava eu.
O que eu era não resistiu à espada
que o meu peito exibia e alimentava no seu sangue.
Doía. Sim, doía.
Como dói e mata toda a amargura
que o coração transporta e acalenta.
Fogo. Eu era fogo. Em cinza me tornei.
Um velho vaso já quebrado me guardou a vida
quem o atirou da escada?
Felipa Monteverde
(in IV Antologia de Poetas Lusófonos)
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Sonho perdido
Perdi um sonho. Perdi-o e não sei onde.
Não sei onde o perdi, onde o deixei.
Talvez tivesse ficado naquele dia de outono
enquanto eu namorava uma fantasia.
Talvez se tenha deixado ficar, ali sozinho
enquanto eu me divertia. Não sei.
Sei que o perdi. Sei que o perdi.
Felipa Monteverde
(in IV Antologia de Poetas Lusófonos)
quinta-feira, 21 de março de 2013
Orquídea
Hoje é o Dia da Poesia, em Portugal (no Brasil foi no dia 14).
Para celebrar a data publico esta poesia, já com alguns aninhos:
Na varanda, eu tinha um vaso
com uma orquídea
que me foi oferecida
mas não fiz caso
e não reguei o vaso.
A orquídea foi à vida.
Que pena! Mas a culpa disto
é de quem me ofereceu um vaso
com uma orquídea
que eu não pedi e não queria.
E como não a queria
não fiz caso
e não reguei o vaso.
Pu-lo na varanda
da mesma banda
para onde brilhava o sol
e foi o que se viu:
o sol brilhou
a terra do vaso secou
e como não foi regada
a flor morreu.
Que pena! Mas a culpa disto
é de quem me ofereceu um vaso
com uma orquídea
que eu não pedi e não queria.
No entanto,
quando novamente florir
vou tentar estar atenta
e dar-lhe de beber
para a flor não morrer.
O vaso continua na varanda.
Felipa Monteverde
quinta-feira, 14 de março de 2013
V ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS
Humildemente confesso que faço parte dos 147 poetas, de 15 países, que integram esta antologia. É para mim uma honra que a minha estreia na publicação em papel se faça juntamente com pessoas que amam a poesia e os livros.
Tenho pena de não poder estar presente na apresentação mas convido todos os meus amigos que moram por esses lados que vão e tirem fotos, para eu ver :)
A entrada é livre.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Princesa encantada
Vivo presa ao passado
princesa encantada por um mago cruel.
Não sei o que faço nem aonde vou
e o mar dos meus olhos reflete as estrelas dos teus.
Vivo presa ao passado
princesa encantada e cativa de amor
viajo na mente de um mago que sei e conheço tão bem.
Cativa deixei que eu fosse por ti
num encanto que um dia fizeste de mim
princesa encantada que olha ao redor
e as estrelas parecem ser tudo e ser nada.
E o mar dos meus olhos reflete o espaço sem fim
onde escondo as estrelas que um dia espreitei e perdi.
Princesa nasci, por ti encantada
cativa de amor num amor que não tens
viajando na mente de um passado breve
que encanta e cativa e solta e prende.
E o mar dos meus olhos reflete o espectro cruel
de um mago sem dó nem amor por ninguém
que me encanta e me prende em estrelas reais
que me tomam nos braços e me levam de volta
a um tempo em que era princesa encantada e cativa de amor.
Felipa Monteverde
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Solitariamente
Passo os dias a correr,
passagem de ninguém por mim.
Solitariamente permaneço num jardim
onde o tempo vai passando e nada resta.
Nada resta. Absolutamente nada.
Nem o tempo me diz aonde ir
em que esferas gozaria a paz e o sonho.
Passo os dias a correr e a cancela não transponho.
Permaneço aqui, a mente em alvoroço.
Sinto-me no cimo de um poço
de águas frias que tentam agarrar-me.
A maré de pensamentos que agita o
mundo em que me refugio
abala a minha mente de tal forma
que a vivo fora de contexto ou norma.
Nada sai do seu sossego.
Nada entra neste espaço onde sou só eu
nas estradas por onde caminho e passo.
É a maré? É o mundo? É o tempo?
Em que consiste este atulhar de pensamento
em que mergulho e de onde jamais saio,
turvas águas de um poço onde caio?
Assim passam os dias. Passa a vida.
Passa o tempo e nada passa junto a mim.
Eu por cá vou ficando, num banco de jardim
solitariamente cansada e aborrecida.
Felipa Monteverde
passagem de ninguém por mim.
Solitariamente permaneço num jardim
onde o tempo vai passando e nada resta.
Nada resta. Absolutamente nada.
Nem o tempo me diz aonde ir
em que esferas gozaria a paz e o sonho.
Passo os dias a correr e a cancela não transponho.
Permaneço aqui, a mente em alvoroço.
Sinto-me no cimo de um poço
de águas frias que tentam agarrar-me.
A maré de pensamentos que agita o
mundo em que me refugio
abala a minha mente de tal forma
que a vivo fora de contexto ou norma.
Nada sai do seu sossego.
Nada entra neste espaço onde sou só eu
nas estradas por onde caminho e passo.
É a maré? É o mundo? É o tempo?
Em que consiste este atulhar de pensamento
em que mergulho e de onde jamais saio,
turvas águas de um poço onde caio?
Assim passam os dias. Passa a vida.
Passa o tempo e nada passa junto a mim.
Eu por cá vou ficando, num banco de jardim
solitariamente cansada e aborrecida.
Felipa Monteverde
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