Não quero o travo salgado
da água do mar na minha pele
quero apenas molhar os pés
e não banhar-me nele.
Não sei nadar.
Ninguém me ensinou, não aprendi.
Para mim, o mar é cheiro a maresia
uma aragem salgada
e uma praia vazia.
Não sei nadar.
Mas nado em pensamento a distância
que me transporta a mil Verões
da minha infância.
E sôfrega mergulho nessas águas
em que a memória me acarinha
e me afaga as mãos já enterradas
numa sepultura que era minha.
O mar
é revolta constante e mensageira
em que mergulho e me afundo
por não saber nadar.
Mas sei que estás à minha beira
reconheço o teu odor e o ruído
do teu respirar na minha mente
onde te quedas sempre tão ausente
e tão cheiro a mar.
Mar
amar e não amar ninguém...
E ninguém me ensinou ainda a nadar.
Felipa Monteverde
Acerca de mim
- Felipa Monteverde
- Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.
terça-feira, 19 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Num banco de jardim
Na aspereza da madeira percebi um banco
recordei sentidos e amores que não tive
e na espera amanhecida sem encanto
anseei um segredo que em mim vive.
Segredei o luar ao teu ouvido
numa agitada noite em que o amor morreu
e fiquei só, num banco envelhecido
que embalava a estrelas que há no céu.
Recordei-te...
e nada percebi do que lembrava
nada entendi de quem tu eras
apenas percebi que alguém passava
levando as palavras que disseras.
E assim continuo nesta luta
sentada neste banco de jardim,
tentando perceber a vil desculpa
que me deste para te afastares de mim...
Felipa Monteverde
domingo, 3 de abril de 2011
Entre o sonho e o mar
As minhas mãos tão frias
geladas como a vida
que envolvem os meus dias
em noites mal dormidas
mostram os meus sentidos
nas pontas dos meus dedos
que tremem, ressequidos
pela aridez dos medos
que envolvem minhas noites
que aumentam meu penar
entre eternos açoites
entre o sonho e o mar.
(Felipa Monteverde)
geladas como a vida
que envolvem os meus dias
em noites mal dormidas
mostram os meus sentidos
nas pontas dos meus dedos
que tremem, ressequidos
pela aridez dos medos
que envolvem minhas noites
que aumentam meu penar
entre eternos açoites
entre o sonho e o mar.
(Felipa Monteverde)
quarta-feira, 30 de março de 2011
Chuva na janela
Tanto que por aqui chove!
A primavera chora, o dia entristeceu
e, na vidraça, a água que escorre
lava sonhos tão cinzentos como o céu.
Olho a chuva, espreitando à janela
e lembro um doce olhar, de mim ausente...
mas presente na noite em cada estrela
que na minha alma se acende.
Primavera de silêncios, de saudades
que a chuva acentua, nostalgia
de sentir presentes outras tardes
e saber ausentes esses dias...
E a chuve que escorre na vidraça
lava sonhos tão cinzentos como o céu,
nostalgia que se instala e jamais passa
na lembrança de um olhar que me esqueceu...
FELIPA MONTEVERDE
A primavera chora, o dia entristeceu
e, na vidraça, a água que escorre
lava sonhos tão cinzentos como o céu.
Olho a chuva, espreitando à janela
e lembro um doce olhar, de mim ausente...
mas presente na noite em cada estrela
que na minha alma se acende.
Primavera de silêncios, de saudades
que a chuva acentua, nostalgia
de sentir presentes outras tardes
e saber ausentes esses dias...
E a chuve que escorre na vidraça
lava sonhos tão cinzentos como o céu,
nostalgia que se instala e jamais passa
na lembrança de um olhar que me esqueceu...
FELIPA MONTEVERDE
domingo, 20 de março de 2011
Ó lembranças de outroras
Ó lembranças de outroras
Mais distantes que nem sei
Por que vindes a desoras
Recordar-me nestas horas
O que jamais olvidei?
Por que voltais ao passado
Que eu já havia enterrado
Junto aos sonhos que matei?
Ai lembranças de outroras
Que tão mal vos ocultei…
(Felipa Monteverde)
Mais distantes que nem sei
Por que vindes a desoras
Recordar-me nestas horas
O que jamais olvidei?
Por que voltais ao passado
Que eu já havia enterrado
Junto aos sonhos que matei?
Ai lembranças de outroras
Que tão mal vos ocultei…
(Felipa Monteverde)
domingo, 13 de março de 2011
Véu de ansiedade
Cai-me, disperso, o véu da ansiedade,
Lua que me desce sobre os ombros...
Primavera escondida nos escombros
De um verso que em minh’alma é metade.
Metade de mim, que o outro meio
Esconde-se entre as rugas do meu seio
Ressequido por séculos de saudade…
Anseio o mar, um céu de estrelas
Nebulosa de sonho e de marfim...
Mas tudo é sombra, tudo é escuro em mim
Nem as flores me querem ao pé delas...
Cai-me, disperso, o véu da ansiedade
E nos ombros sinto este cansaço,
Esta fome de ser mar e espaço
E ser apenas rio de saudade...
Saudade de quê, amor?...
Saudade de ti, de nós, do tempo
Em que amar-te era um resplendor
E estava tão distante este tormento...
(Felipa Monteverde)
Lua que me desce sobre os ombros...
Primavera escondida nos escombros
De um verso que em minh’alma é metade.
Metade de mim, que o outro meio
Esconde-se entre as rugas do meu seio
Ressequido por séculos de saudade…
Anseio o mar, um céu de estrelas
Nebulosa de sonho e de marfim...
Mas tudo é sombra, tudo é escuro em mim
Nem as flores me querem ao pé delas...
Cai-me, disperso, o véu da ansiedade
E nos ombros sinto este cansaço,
Esta fome de ser mar e espaço
E ser apenas rio de saudade...
Saudade de quê, amor?...
Saudade de ti, de nós, do tempo
Em que amar-te era um resplendor
E estava tão distante este tormento...
(Felipa Monteverde)
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