Cai-me, disperso, o véu da ansiedade,
Lua que me desce sobre os ombros...
Primavera escondida nos escombros
De um verso que em minh’alma é metade.
Metade de mim, que o outro meio
Esconde-se entre as rugas do meu seio
Ressequido por séculos de saudade…
Anseio o mar, um céu de estrelas
Nebulosa de sonho e de marfim...
Mas tudo é sombra, tudo é escuro em mim
Nem as flores me querem ao pé delas...
Cai-me, disperso, o véu da ansiedade
E nos ombros sinto este cansaço,
Esta fome de ser mar e espaço
E ser apenas rio de saudade...
Saudade de quê, amor?...
Saudade de ti, de nós, do tempo
Em que amar-te era um resplendor
E estava tão distante este tormento...
(Felipa Monteverde)
Acerca de mim
- Felipa Monteverde
- Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.
domingo, 13 de março de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Ontem foi o dia dos namorados...
... e eu esperei durante todo o dia por este presente:

Que não apareceu, claro, e eu até dispensava as flores e os balões...

Que não apareceu, claro, e eu até dispensava as flores e os balões...
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Suicídio
Nesta infinita espera em que caminho
avisto os teus passos no horizonte
e a memória trai o meu destino
atirando-se abaixo de uma ponte.
Ponte de desvarios e loucura
que atravessa o medo em que caí
ao separar o sonho da aventura
de esperar amor vindo de ti.
Mas o sonho caiu, a aventura ficou
e o romance morreu naquela hora
em que de uma ponte se atirou
um segredo, um destino, uma penhora.
Penhora de carinho, de ternura,
em que eu havia então depositado
o sonho, o desvario, a loucura
de amar uma lembrança do passado...
(Felipa Monteverde)
avisto os teus passos no horizonte
e a memória trai o meu destino
atirando-se abaixo de uma ponte.
Ponte de desvarios e loucura
que atravessa o medo em que caí
ao separar o sonho da aventura
de esperar amor vindo de ti.
Mas o sonho caiu, a aventura ficou
e o romance morreu naquela hora
em que de uma ponte se atirou
um segredo, um destino, uma penhora.
Penhora de carinho, de ternura,
em que eu havia então depositado
o sonho, o desvario, a loucura
de amar uma lembrança do passado...
(Felipa Monteverde)
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Dia de anos
Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse…
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!
Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado…
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!
Não faça tal; porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa; que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.
Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los, queira ou não queira!
(João de Deus)
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse…
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!
Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado…
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!
Não faça tal; porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa; que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.
Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los, queira ou não queira!
(João de Deus)
sábado, 15 de janeiro de 2011
Sem ti

Amanhecer nos teus olhos é amor
entardecer nos teus braços é paixão
anoitecer à tua espera é perdão
adormecer sem ti é aguda dor...
(Felipa Monteverde)
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Três poemas de Djalma Andrade

BELO HORIZONTE
Belo Horizonte, glória ao mineiro!
Bendito o esforço da sua mão,
Que traça linhas no solo agreste
E faz cidades nascer do chão.
Glória ao mineiro de sãs virtudes
Que as tempestades sabe afrontar,
Que faz cidades de ruas retas
Porque esse é o jeito do seu andar.
Belo Horizonte, fonte de vida,
Chegam enfermos em procissões!
Só com a magia desses teus ares,
Fazes milagres, ressurreições.
Árvores verdes, fortes, tranquilas,
Que afrontam firmes o temporal,
Como soldados postos em filas
Numa parada descomunal.
Belo Horizonte, conto de fadas!
Luta o mineiro na grande Minas,
E eis que a cidade surge do nada,
Tal qual o mundo das mãos divinas.
PODE ENTRAR, QUE A CASA É SUA
Minas… Igrejas e sinos
De sons puros, cristalinos…
Pompas… Passado de glórias…
Cidades velhas, velhinhas,
Com ternura de avozinhas,
Que contam lindas histórias.
Minas… As velhas fazendas
Cheias de casos e lendas
De uma era sombria, escura…
E Minas das claras fontes,
Dos rasgados horizontes,
Minas do pão, da fartura.
Minas… as longas estradas
Nos duros morros cravadas…
Gente forte à luta afeita!
Carros gemendo e cantando,
Serras e montes galgando,
Na alegria da colheita.
Minas… Repiques festivos,
A banda, dobrados vivos
Rompe com fúria infernal…
Foguetes, o largo cheio…
Todo o povo alegre veio
Para a festa no arraial.
Minas… É o lar que se agita
Gente de fora, visita,
Todos à porta da rua…
Sorriso franco e bondoso,
Lá dentro o café cheiroso:
– Pode entrar, que a casa é sua.
MINHA TERRA
Ó turista errante a caminhar à toa,
Olhos fatigados de mirar Paris,
Vem ver minha terra como é clara e boa,
Vem ver minha gente a trabalhar feliz!
Vem ver minha Minas como é linda e calma,
Ó turista errante, vai andando ao léu…
Que este clima puro robustece a alma,
- Sobe estas montanhas que acharás o céu.
Esta é Vila Rica, uma cidade exemplo,
Pisa bem de leve, passa devagar,
Ó turista errante, esta cidade é um templo.
Quem não tem vontade, Santo Deus, de orar!
Homens formidáveis que curtiram travos
Por aqui passaram, por estes recantos:
- Dizem as histórias que eles foram bravos,
Eu às vezes penso que eles foram santos.
Olha estas imagens, olha-as com carinho,
Santos semelhantes parecendo irmãos,
Foram todos feitos pelo Aleijadinho,
O monstruoso génio que não tinha mãos.
Olha estas ermidas, vasos, esculturas,
As capelas lindas, com seus lindos santos…
Quando chega maio, que alegria puras!
Cobrem-se de flores, enchem-se de cantos.
Esta é Diamantina, outrora onipotente,
Este é o Sabará gentil dos meus avós:
- São cidades mortas para toda a gente,
São cidades santas para todos nós.
Vem ver as mineiras, lindas esperanças,
Do seu peito brando é que a bondade emana;
Têm a singeleza de ovelhinhas mansas,
E o caráter de aço da mulher romana.
Vem ver o mineiro a levantar cidades,
Na labuta austera, cheio de virtude:
- o meu povo vence sem mostrar vaidades,
Minas se engrandece no trabalho rude.
Olha estas montanhas, têm o aspeto rudo,
São de ferro e aço, valem um tesouro!
- Aço e ferro juntos formam um escudo
A guardar de Minas o caráter de ouro.
Ó turista errante, a tua jornada encerra,
Não verás, por certo, entre países mil,
Terra mais bonita do que a minha terra,
Terra mais pujante do que o meu Brasil!
DJALMA ANDRADE
(Retirado do livro "BELO HORIZONTE", 16ª Conferência dos Distritos Rotários do Basil, 1945)
Quando li o nome Djalma Andrade pensei tratar-se de uma mulher, mas pesquisei na net e soube que era um homem:
Nasceu em Congonhas, Minas Gerais. Formado em Direito. Nomeado promotor de Justiça em Ouro Preto, não tomou posse para dedicar-se ao jornalismo e às letras. Atuou em quase todos os jornais e revistas em Belo Horizonte. No Estado de Minas assinava a coluna "A História Alegre de Belo Horizonte".
Membro da Academia Mineira de Letras e da Academia de Lisboa.
Bibliografia:
“Versos Escolhidos” - 1935
“Poemas de Ontem e de Hoje” – 1937
“Sátiras”
“Cartuchos de Festim”
“Poemas Escolhidos”
“Versos Escolhidos e Epigramas” -1945
Teve diversos livros com edições esgotadas, em especial a última, em 1986. Faleceu aos 83 anos.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Novo ano
Chegou um novo ano
e com ele a esperança
em que algo se renove;
mas é tudo um engano
a novidade logo cansa
e nada depois nos move.
Fazemos resoluções
criamos expetativas
sonhamos tudo mudar...
mas são tudo ilusões
são esperanças perdidas
quando janeiro passar...
(Felipa Monteverde)
e com ele a esperança
em que algo se renove;
mas é tudo um engano
a novidade logo cansa
e nada depois nos move.
Fazemos resoluções
criamos expetativas
sonhamos tudo mudar...
mas são tudo ilusões
são esperanças perdidas
quando janeiro passar...
(Felipa Monteverde)
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