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Poeta por inspiração e imposição da alma... Uma pessoa simples, que vive a vida como se fosse a letra de uma canção, o enredo de um filme, a preparação para uma vida superior, à espera da eternidade e do encontro com o Criador.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sem ti


Amanhecer nos teus olhos é amor
entardecer nos teus braços é paixão
anoitecer à tua espera é perdão
adormecer sem ti é aguda dor...

(Felipa Monteverde)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Três poemas de Djalma Andrade


BELO HORIZONTE

Belo Horizonte, glória ao mineiro!
Bendito o esforço da sua mão,
Que traça linhas no solo agreste
E faz cidades nascer do chão.

Glória ao mineiro de sãs virtudes
Que as tempestades sabe afrontar,
Que faz cidades de ruas retas
Porque esse é o jeito do seu andar.

Belo Horizonte, fonte de vida,
Chegam enfermos em procissões!
Só com a magia desses teus ares,
Fazes milagres, ressurreições.

Árvores verdes, fortes, tranquilas,
Que afrontam firmes o temporal,
Como soldados postos em filas
Numa parada descomunal.

Belo Horizonte, conto de fadas!
Luta o mineiro na grande Minas,
E eis que a cidade surge do nada,
Tal qual o mundo das mãos divinas.


PODE ENTRAR, QUE A CASA É SUA

Minas… Igrejas e sinos
De sons puros, cristalinos…
Pompas… Passado de glórias…
Cidades velhas, velhinhas,
Com ternura de avozinhas,
Que contam lindas histórias.

Minas… As velhas fazendas
Cheias de casos e lendas
De uma era sombria, escura…
E Minas das claras fontes,
Dos rasgados horizontes,
Minas do pão, da fartura.

Minas… as longas estradas
Nos duros morros cravadas…
Gente forte à luta afeita!
Carros gemendo e cantando,
Serras e montes galgando,
Na alegria da colheita.

Minas… Repiques festivos,
A banda, dobrados vivos
Rompe com fúria infernal…
Foguetes, o largo cheio…
Todo o povo alegre veio
Para a festa no arraial.

Minas… É o lar que se agita
Gente de fora, visita,
Todos à porta da rua…
Sorriso franco e bondoso,
Lá dentro o café cheiroso:
– Pode entrar, que a casa é sua.


MINHA TERRA

Ó turista errante a caminhar à toa,
Olhos fatigados de mirar Paris,
Vem ver minha terra como é clara e boa,
Vem ver minha gente a trabalhar feliz!

Vem ver minha Minas como é linda e calma,
Ó turista errante, vai andando ao léu…
Que este clima puro robustece a alma,
- Sobe estas montanhas que acharás o céu.

Esta é Vila Rica, uma cidade exemplo,
Pisa bem de leve, passa devagar,
Ó turista errante, esta cidade é um templo.
Quem não tem vontade, Santo Deus, de orar!

Homens formidáveis que curtiram travos
Por aqui passaram, por estes recantos:
- Dizem as histórias que eles foram bravos,
Eu às vezes penso que eles foram santos.

Olha estas imagens, olha-as com carinho,
Santos semelhantes parecendo irmãos,
Foram todos feitos pelo Aleijadinho,
O monstruoso génio que não tinha mãos.

Olha estas ermidas, vasos, esculturas,
As capelas lindas, com seus lindos santos…
Quando chega maio, que alegria puras!
Cobrem-se de flores, enchem-se de cantos.

Esta é Diamantina, outrora onipotente,
Este é o Sabará gentil dos meus avós:
- São cidades mortas para toda a gente,
São cidades santas para todos nós.

Vem ver as mineiras, lindas esperanças,
Do seu peito brando é que a bondade emana;
Têm a singeleza de ovelhinhas mansas,
E o caráter de aço da mulher romana.

Vem ver o mineiro a levantar cidades,
Na labuta austera, cheio de virtude:
- o meu povo vence sem mostrar vaidades,
Minas se engrandece no trabalho rude.

Olha estas montanhas, têm o aspeto rudo,
São de ferro e aço, valem um tesouro!
- Aço e ferro juntos formam um escudo
A guardar de Minas o caráter de ouro.

Ó turista errante, a tua jornada encerra,
Não verás, por certo, entre países mil,
Terra mais bonita do que a minha terra,
Terra mais pujante do que o meu Brasil!

DJALMA ANDRADE

(Retirado do livro "BELO HORIZONTE", 16ª Conferência dos Distritos Rotários do Basil, 1945)

Quando li o nome Djalma Andrade pensei tratar-se de uma mulher, mas pesquisei na net e soube que era um homem:
Nasceu em Congonhas, Minas Gerais. Formado em Direito. Nomeado promotor de Justiça em Ouro Preto, não tomou posse para dedicar-se ao jornalismo e às letras. Atuou em quase todos os jornais e revistas em Belo Horizonte. No Estado de Minas assinava a coluna "A História Alegre de Belo Horizonte".
Membro da Academia Mineira de Letras e da Academia de Lisboa.

Bibliografia:

“Versos Escolhidos” - 1935
“Poemas de Ontem e de Hoje” – 1937
“Sátiras”
“Cartuchos de Festim”
“Poemas Escolhidos”
“Versos Escolhidos e Epigramas” -1945

Teve diversos livros com edições esgotadas, em especial a última, em 1986. Faleceu aos 83 anos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novo ano

Chegou um novo ano
e com ele a esperança
em que algo se renove;
mas é tudo um engano
a novidade logo cansa
e nada depois nos move.

Fazemos resoluções
criamos expetativas
sonhamos tudo mudar...
mas são tudo ilusões
são esperanças perdidas
quando janeiro passar...

(Felipa Monteverde)

Retratos



Não olhes os meus retratos
que nenhum deles retrata
a minha alma fiel.
Retratos são abstratos
são aparência inexata
fisionomia chata
num pedaço de papel…

(Felipa Monteverde)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Carência

Entristece-me saber
que apenas consegues oferecer-me sexo.
A companhia de um homem
o seu carinho e atenção
são coisas que desconheço.

A minha alma anseia algo mais
do que aquilo que me dás.
Contigo não preencho este vazio
que me torna carente de afetos
e amargamente só... ao pé de ti.

(Felipa Monteverde)

sábado, 1 de janeiro de 2011

Soneto de Natal

Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

Machado de Assis

(retirado de http://mimosdeanna.blogspot.com/)